terça-feira, 15 de setembro de 2009

Cultura Cidadã: arte e protagonismo para um mundo melhor

Essa era a temática da palestra da qual participamos, Eu e Léo Ferreira (GO), neste domingo (13/09), na programação da Feira do Empreendedor/Brasil Central Music/Festival Vaca Amarela, no espaço SEBRAE de Goiânia.

Abordei a questão sob uma ótica que já abordara aqui no blog anteriormente: a concepção tríplice da cultura (em suas dimensões simbólica, cidadã e econômica), enquanto fundamento da Política Nacional de Cultura, também é uma decorrência do processo de mudança gradual no paradigma clássico das ciências sociais que divide a humanidade, para fins de estudo, em ESTADO, MERCADO e SOCIEDADE CIVIL. Disso decorre também o entendimento quanto à transversalidade e interpenetração dos fatores antes enxergados como estanques: os tais fatores POLÍTICOS, ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS, sempre presentes em toda e qualquer análise de categorias sócio-culturais-econômico-políticas (si, por supuesto!!!).

Esse ambiente conceitual se insere em um ambiente de crise dos movimentos sociais, tanto os clássicos (baseados na relação capital-trabalho, ou ditos sindicais) quanto os considerados “novos” (NMSs). Nesse sentido, abordei o raciocínio do texto anterior (de 22/07/09) segundo o qual, após a positivação de demandas enquanto direitos objetivos e a sucessiva incorporação e efetivação dos mesmos em planos de governo, decorre o esvaziamento das “bandeiras de luta” de tais movimentos; que tal fato, aliado às políticas públicas de ações afirmativas (bolsa família etc) que eleva à uma condição “menos pior” um grande contingente de pessoas, promovendo a sua respectiva inserção na esfera de consumo do sistema capitalista, em conseqüência, permite que os mesmos despertem sua atenção (e direcionem sua capacidade de mobilização) para outras questões que não as questões mais emergenciais relacionadas à alimentação, moradia etc.

E é justamente essa crise dos movimentos sociais clássicos e até mesmo dos Novos Movimentos Sociais que, aliada aos demais fatores acima descritos, abre um campo para formação de “Redes Colaborativas de Trabalho”, de cunho cultural, cuja principal característica é a apropriação dos fundamentos filosóficos do associativismo e do cooperativismo aplicados de forma mais contemporânea, através de mecanismos de troca e intercâmbio de tecnologias sociais de organização e gestão (por meio digital) e permite um novo paradigma de formação, produção, circulação e difusão cultural. Outra principal característica desses tipos de movimento é a quebra com o paradigma da organização padrão das cadeias produtivas da indústria e do comércio cultural, pautando-se pelos padrões de auto-gestão e perversão da divisão de trabalho entre os diferentes elos e agentes destas mencionadas cadeias. Citei como exemplos o Circuito Fora do Eixo de Música Independente, a Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN) e a Rede de Pontos de Cultura. Mas poderia citar outros exemplos, como a Cooperifa, a Semana de Antropofagia Periférica, a CUFA dentre tantos outros.

Por fim, concluí dizendo que para que se efetive o que o título da palestra sugeria (arte e protagonismo cultural para um mundo melhor), não é necessário que a arte seja engajada, como observado em outros períodos da história brasileira, e sim que o artista/produtor cultural seja engajado; que haja uma fusão entre a gestão do fazer cultural com o fazer cultural propriamente dito. Em síntese: artista = pedreiro, na melhor acepção do aforismo.

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