quarta-feira, 21 de julho de 2010

Porque voto no Léo


Conheço o Léo desde os idos de 1991. Acabara de trocar de escola, saía do vanguardista Colégio Moderno para o tradicional Colégio Meta, antigo “Colégio Nossa Senhora das Dores” (o Colégio dos Padres), onde meu pai havia estudado na década de 1960, quando chegou a Rio Branco, vindo com minha avó e meus tios de Xapurí.

Cursava a 5ª série do atual ensino fundamental. Léo era mais adiantado um ano. Franzino, magrelo (assim como eu), destoava dos outros colegas mais parrudos da 6ª série, que cursava com meu irmão David. Nossos momentos comuns eram nas aulas de educação física, onde as duas turmas, ambas da tarde, se juntavam em uma só, pelas manhãs das sextas-feiras. Nós, os franzinos e magrelos, não dávamos “nem pro cheiro” com os colegas grandões nos educativos e coletivos de futsal, basquete, handball e vôlei.

Ao final de cada ano, como estímulo aos estudos, era tradição no Colégio Meta premiar os alunos que obtivessem o maior somatória de notas dentre todas as matérias ao longo dos 4 bimestres letivos. No fim daquele 1991, Léo faturou o primeiro lugar dentre as turmas de sexta-série (eram duas); e eu papei uma medalhinha de ouro dentre os alunos das turmas de 5ª série (eram quatro). A ambos incomodava o apelido de CDF: éramos estudiosos sim, mas não faltávamos às peladas da turma (acho que o Léo já era corintiano roxo desde essa época), às festinhas de aniversário dos colegas e a tudo que nos era permitido fazer naquela idade da infância.

Crescemos e fomos avançando na idade, nas séries e também no porte físico. Ao menos na altura, porque continuávamos (e continuamos até hoje) “magrelos véios”. Com mais de 1,80m de altura, fomos selecionados para o time de basquete do Colégio Meta e conseguimos sagrar-nos campeões dos Jogos Estudantis das Escolas Particulares (JEEPs) do ano de 1996. Aquilo foi a glória, para quem não conseguia nem ser escolhido para a peladinha da aula de educação física, estar na seleção de um dos colégios mais competitivos e vencer um campeonato com várias outras equipes foi uma felicidade só. Perdemos a maioria das outras competições que participamos, as equipes fortes de basquete da época eram as do CERB e do Heloísa Mourão Marques. Contra eles, perdíamos de lavada. Mas aquele torneio de 1996 ficou na memória até hoje...

Passaram-se os anos seguintes e chegou a faculdade. Léo ingressou no curso de direito da UFAC em 1997 e eu no ano seguinte. Nos corredores e salas de aula, Léo foi naturalmente assumindo um papel importantíssimo em um momento crítico da história de mais de 40 anos do curso de direito no Acre: um ultimato do Ministério da Educação ameaçava fechar as portas do curso caso não conseguíssemos reverter o quadro crítico de problemas que nos assolavam, desde falta de professores ao excesso de alunos em sala de aula não aprovados no vestibular para Direito, os chamados “janeleiros”. Léo iniciou uma mobilização e eu atendi ao chamado, logo me engajei naquele movimento que se intitulou “Comitê de Salvação do Curso de Direito”. As reuniões eram longas e intensas. Léo debatia com os professores e pró-reitores, discutia com vigor. Não só nos contrapúnhamos a eles, mas também nos dávamos as mãos e contribuíamos, nós alunos, com estudos e levantamentos, visando reverter o quadro. Léo mobilizava e engajava os colegas, que iam seguindo juntos, fazendo algo positivo para a coletividade acadêmica: não deixar que o curso de direito fechasse, por seus inúmeros problemas.

O movimento teve seu êxito. Após intervenção da reitoria, o Curso voltou a ter suas condições mínimas de funcionamento estabelecidas, expulsou os “janeleiros”, ampliou acervos, espaços físicos e quadro de professores, passou a contar com representantes discentes permanentemente nos colegiados de curso e assembléias departamentais, até ser agraciado com uma Nota “A”, no antigo Provão do MEC. A turma que obteve a Nota “A” não podia ser outra: foi a do Léo. A mobilização resultou também no reativamento do Centro Acadêmico de Direito (CADIR), depois de quase 25 anos de inatividade, onde ocupamos juntos diferentes coordenações.

Além da militância no CADIR, fomos bolsistas do primeiro projeto de pesquisa do curso de direito da UFAC oficialmente cadastrado no CNPq, em seus 40 anos de existência. Orientados pelo Prof. David Wilson de Abreu Pardo, recém chegado de seu mestrado, fomos contemplados com bolsas de pesquisa no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Também estagiamos juntos na Secretaria de Florestas, no primeiro ano do primeiro mandato de Jorge Viana a frente do Governo do Acre. Alí, sob o comando do Secretário Carlos Vicente e dos nossos chefes imediatos, Arthur Leite (hoje Secretário Municipal de Meio Ambiente) e Jorge Fadell (atual Secretário Municipal de Produção), tivemos nossa primeira experiência no âmbito da Administração Pública. Contribuíamos nas questões jurídicas, fuçávamos contratos no setor financeiro, metíamos o bedelho onde não éramos chamados....

Passados os primeiros semestres na faculdade, Léo foi se envolvendo cada vez mais com a política; de minha parte, fui experimentando outras vivências, digamos assim, “extra-curriculares”: flertei com a turma do desporto universitário, chegando a participar de 3 Jogos Universitários Brasileiros (JUB’s) com a equipe de Atletismo da UFAC; e me envolví em definitivo com a música, quando passei a tocar contra-baixo na banda Estação Zen, presença constante em todas as festas universitárias da época. Nossos momentos comuns continuavam sendo no CADIR, onde brigávamos e discutíamos muito. Eu, precocemente cético e ferino, sempre fustigando o Léo com problematizações a respeito da administração petista, mesmo sendo simpatizante e eleitor da Frente Popular do Acre desde o meu primeiro voto. Léo sempre defendendo o Partido e a Frente, argumentando, explicando. Aos poucos, ia me convencendo do óbvio.

Concluída a faculdade, o afastamento foi natural: Léo se engajou cada vez mais no Partido dos Trabalhadores. Em 2003, ele foi convidado para assumir o cargo de Secretário Extraordinário da Juventude, no segundo mandato do Governo da Floresta. Foi uma alegria para todos nós, amigos e conhecidos do Léo. Sentimos-nos muito contemplados, éramos nós lá, ajudando a construir e tocar um projeto que estava mudando a cara do Acre desde 1999. Eu fui trabalhar no Ministério Público, de onde saí 4 anos depois após ser aprovado em concurso público do Estado, para o cargo de gestor de políticas públicas. Mesmo um pouco mais afastados, cada um com seus compromissos, ainda fizemos mestrado juntos, em Relações Internacionais.

Em 2006, Léo se candidata a Deputado Estadual. Ajudei pouco na campanha, estava na transição, saindo do Ministério Público (que atua como fiscal da lei nas eleições) e ingressando no Estado, não pude me envolver por questões de ordem legal e ética. Léo não se elegeu daquela vez. Mas, logo nos anos seguintes, foi eleito Presidente do Diretório Regional do PT. E eu fui convidado pelo Governador Binho para assumir a Presidência da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (FEM), órgão gestor da política pública de cultura do Acre; talvez pela minha formação em direito, talvez pela minha, ainda curta, mas alguma experiência na Administração Pública; mas, com certeza, pelo meu envolvimento com música, com entidades culturais e com produção de festivais e outras atividades de cultura. Coincidentemente, assumimos os desafios em épocas bem próximas.

Vê-se que vivemos muitas coisas juntos, mas faltava compartilhar ainda uma experiência: a da militância partidária. Em um dia qualquer do início de 2008, Léo me chama para uma conversa e, diferentemente do que poderia fazer em uma situação normal, não me fez um convite nem entabulou um discurso de convencimento. Me estendeu o Estatuto, o Código de Ética e as Resoluções do 3º Congresso Nacional do PT e disse: “ – Leia e, após, decida”. Compreendí que já havíamos conversado tanto, debatido tanto, ao longo de um punhado de anos, que não era necessário conversa de “João-Sem-Braço”, de “cerca Lourenço”... A decisão era minha, nada do que ele dissesse poderia alterar minhas convicções e ele tinha consciência disso. Em 9 de setembro de 2008, me filiei ao Partido dos Trabalhadores. Saí de simpatizante e depois eleitor para, enfim, me tornar militante. Léo é assim o meu padrinho de militância, é quem abona a minha ficha de filiação. Se o Binho foi o responsável pelo meu ingresso definitivo na vida pública, o Léo é o responsável pela minha filiação no PT.

Serei sincero: eu e Léo não éramos e não somos amigos daqueles que se falam todos os dias e freqüentam a casa um do outro toda semana. Mantemos as notícias atualizadas, acompanhamos a trajetória um do outro, continuamos nos vendo de vez em quando, trocando idéias... Casamos, estamos constituindo família... Mas, nessas vivências em conjunto, Léo sempre esteve ali, firme, engajado, comprometido. Como meu irmão mais velho, meus tios, meu pai e minha mãe, foi se tornando também um dos meus espelhos, me servindo de estímulo e exemplo. E, ao longo desses 19 anos de convivência, dentre todas as coisas, de algumas nunca tive dúvida: da honestidade, probidade, dedicação, compromisso e lealdade do Léo para com um sonho e um projeto, que é o de contribuir para que o Acre se torne um lugar cada vez melhor. Da capacidade, competência e inteligência, nem se fala, isso eu sei desde os tempos do Colégio Meta...

Deu pra perceber que eu persigo esse cara não é de hoje, faz tempo. Agora, diante de mais um desafio, não seria diferente.

Léo é candidato a Deputado Federal nas Eleições 2010. E eu estou, mais uma vez, junto com ele nessa jornada. Confio nele, vou junto com ele em mais essa, até o fim.

Por isso tudo, faço minha declaração de voto de peito aberto e cheio de orgulho: sou PT, sou PCult, sou da cultura, da juventude. Sou da Frente Popular. Voto Dilma Presidente, Tião Governador, Jorge e Edvaldo Senador. E no dia 3 de outubro, serei Léo do PT, 1331, para Deputado Federal.

Voto no Léo. E peço o seu voto para ele: vote no Léo você também!!!

Um comentário:

  1. O Leonardo sempre foi do bem... estudamos juntos no Colégio Meta e mesmo sendo o maior 'cdf' da sala, nunca deixou de participar de todas as atividades intra e extra-escolares. Lembro dos churrascos mensais na casa da Érika (você também participava, Daniel), ou até mesmo nos churrascos na sua casa, que foram memoráveis.

    Bons tempos...

    Naquela época, ainda não imaginávamos o que seria o futuro de cada um de nós. E o futuro chegou! Dois grandes amigos juntos aos grandes líderes fazendo história na nossa terra querida.

    Boa sorte a todos!


    Paulo Vico

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