quarta-feira, 11 de agosto de 2010

De cebolas e alhos


enho me dedicado, sempre aos domingos, a me aprofundar na arte da culinária. Não sei se poderia dizer culinária, propriamente dita, em sentido estrito, quanto menos arte, mas tento fazer umas incursões mais profundas pela cozinha, pela “cozinhação” mesmo. Aos domingos, assumo o fogão e pronto. Datas comemorativas então, são o mote perfeito.

Mas isso não é a toa, nem é de hoje. Desde criança penso que a profissão de padeiro é a que mais se aproxima de um sacerdócio: fazer pão todos os dias, para alimentar aos outros... A simbologia cristã do pão com a comunhão, isso tudo permeou a minha mente de criança católica a fazer essa analogia: o padeiro simbolizava, para mim, a profissão sacerdótica daqueles que se dedicam a dar de comer aos outros. E, para mim, lecionar, fazer pão e dar de comer, são os ofícios que sintetizam a solidariedade humana, a capacidade do homem de fazer o bem ao outro (com ou sem contrapartida). É o mais próximo que podemos nos aproximar de um ofício divino.

A cozinhar (ou , ao menos, os rudimentos básicos de cozinhar), aprendi empiricamente, com minha mãe, observando e perguntando algumas coisas. Não me interessava muito em ir para a cozinha, meter a mão na massa: mãe e Josefa, que trabalha em nossa casa há mais de 15 anos, ambas excelentes cozinheiras, eram quem seguravam o batente no dia a dia, sempre. Mas, me interessava aprender o básico, para, como dizia mãe “não morrer de fome” nem “depender de esposa”, cozinhe ela bem ou mal. Pois bem, aprendi as técnicas básicas (refogar, cozinhar, assar), alguns cortes primários de carnes e as combinações elementares de temperos (coentro vai bem com pescados, por exemplo, e assim por diante). O resto faz parte da experimentação e do hábito. Acertar o ponto da fritura, do refogado, do flambado, o ponto do tempero, as quantidades que nem sempre dão certo quando você segue uma receita à risca, porque depende da temperatura do fogo, do frescor do ingrediente, do gosto pessoal, etc etc etc. Essa é a parte difícil, o que distingue o bom cozinheiro, experimentado, de um amador de domingo, como eu.

Outra coisa que aprendi é que 60% do ato de cozinhar inicia com dourar a cebola e o alho. E o brasileiro é um povo que usa, de forma bem peculiar, a combinação da cebola com o alho, quando, em outros países, geralmente ou se usa um ou se uso o outro.

Cozinhar me dá prazer, sobretudo porque também é uma forma de dizer a Fabiana, minha esposa, que também estou ali, disposto a aliviar a barra do ofício tradicionalmente feminino de cuidar de casa. Ambos ocupamos funções públicas, trabalhamos durante a semana inteira fora de casa, nada mais justo de que, aos finais de semana, repartir as atribuições do lar.

2 comentários:

  1. Curto cozinhar e acredito que eu seja um bom cozinheiro.
    "Atenção meninas que estejam afim de um homem completo, sou eu, hahahahaha!"
    Mas voltando ao tema é super maneiro quando terminamos de preparar a comida e temos a certeza de que o resultado ficou agradável pelo visual, cheio e sabor.

    é isso.

    Abraços.
    ______
    Surpresa boa em saber que a Iracema Forte Caingang lhe segue.

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  2. Opa, já ia esquecendo:
    Meu Twitter: GuararemaMatos
    Facebook: Guará Matos

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