sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O Processo de Eleições Diretas e a democracia interna do Partido dos Trabalhadores

O Partido dos Trabalhadores (PT) vivenciará, no próximo dia 10 de novembro, mais um processo de eleições diretas (PED) para a escolha dos presidentes de diretórios municipais, zonais, regionais (estaduais) e nacional. O maior partido do Brasil, tanto em número de filiados quanto em percentual de preferência do eleitorado é também uma das maiores agremiações do continente e da América Latina.
Ao contrário de outras siglas nacionais, de organização cartorial, em que dirigentes locais viajam à Brasília e voltam com a Presidência do Diretório debaixo do sovaco, o PT, com todo esse tamanho e envergadura, se submete a um processo democrático amplo, onde todo filiado apto, em dia com suas obrigações partidárias, pode votar para escolher seus dirigentes.

Aquilo que é uma de nossas maiores fortalezas – nossa democracia interna – certamente um dos pontos que nos distingue dos demais, também pode aparentar fraqueza. Alguns militantes, afoitos de ocasião (ou raposas velhas da política), fazem da disputa uma oportunidade para expor as idiossincrasias internas.  Adversários se aproveitam de tal exposição para nos impingir supostas fissuras, intrigas, “rachas”. Ao final e ao cabo, o partido se renova, amplia a sua base, oxigena o debate interno e fortalece sua militância.

Além de democrático, o PT goza do privilégio de ser, ao mesmo tempo, um partido de massas e um partido de quadros, conforme já assinalado em outras oportunidades por outros companheiros do partido.
Ainda que diante de um contexto de crise comunicacional e de legitimidade que afeta a relação do partido com sua base social, o PT ainda é um dos únicos partidos políticos brasileiros que consegue, minimamente, estabelecer canais de diálogo com os movimentos sociais. Da Central Única dos Trabalhadores (CUT), aos Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STRs), passando pela relação história com as antigas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e outras instâncias e foros de mobilização, organização e participação social, o PT consegue transitar e estabelecer canais de diálogo com tais movimentos.

Esse é, portanto, o fator que confere às administrações petistas o DNA dos movimentos sociais: a sociedade, em maior ou menor grau, consegue se enxergar nos programas e projetos governamentais, pois as políticas públicas estabelecidas com sua participação acabam por carregar, em sua corrente sanguínea, o ponto de vista, as impressões e opiniões dos movimentos sociais, seja através do fenômeno da assunção de lideranças sociais a cargos públicos, seja através da adoção dos conteúdos programáticos do partido como orientação para o estabelecimento de programas e projetos de governo.  

Por outro lado, o PT consegue também ser um partido de quadros. Intelectuais orgânicos e técnicos nas diferentes áreas do conhecimento ainda integram as fileiras dos bons quadros partidários.
Essa é a condição que faz com que as administrações petistas gozem de governança (liderança, conhecimento, experiência e recursos) que, junto com definição clara do que pensa para um projeto governamental e junto às condições de governabilidade, constituem o triângulo de governo de atributos essenciais para o sucesso de uma administração pública.

De um lado, um partido somente de quadros, assim como o PSDB, sem conexão com o movimento social, pode até reunir as condições técnicas para realização de seu projeto político e de governo (isso nacionalmente, porque localmente, até disso se duvida). Mas, não goza de uma base social ampla de onde se originem suas opções ideológicas, carecendo, portanto, de legitimidade social.

Por outro lado, um partido só de massas pode até ter o DNA dos movimentos sociais e, por conseguinte, carregar consigo alta dose de legitimidade social e de proximidade com os anseios e necessidades da população. Mas não conseguiria lograr êxito na concretização dos seus projetos, por ausência de capacidade técnica instalada, capaz de fazer girar a roda da burocracia estatal, a fim de ver concretizadas, na prática, as diversas atividades e ações que constituem o dia-a-dia da Administração Pública.

A democracia interna petista assegura o convívio com a pluralidade de idéias, opiniões, visões e concepções de mundo. A ligação com o movimento social assegura participação popular e, por conseguinte, legitimidade social. E, por fim, a presença de bons quadros intelectuais e da academia assegura o apuro técnico necessário para converter, em bons programas e projetos, tudo aquilo que é captado através dos diferentes canais e instâncias de exercício da cidadania e da democracia participativa.

Vida longa ao Partido dos Trabalhadores!


Publicado no jornal A Gazeta, de 29 de outubro de 2013

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